O Governo Federal, através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC), reconheceu nesta segunda-feira (19/10) a situação de emergência em Apucarana em decorrência do temporal de granizo e ventos com até 125 Km/h que atingiu o município em 21 de setembro. O anúncio foi feito pelo prefeito Rodolfo Mota durante a apresentação de um balanço das ações realizadas nos últimos 28 dias.
Aguardado desde a ocorrência do desastre, o reconhecimento federal amplia as possibilidades de acesso a recursos para a reconstrução da cidade e permite que trabalhadores que atendam aos critérios estabelecidos solicitem o saque calamidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), através da Caixa Econômica Federal, após a publicação oficial da medida que deve acontecer ainda nesta semana. Com o reconhecimento da situação de emergência, trabalhadores poderão ter direito ao saque calamidade do FGTS. “O procedimento não é automático e depende do cumprimento das etapas exigidas. A orientação é aguardar a publicação da medida no Diário Oficial da União, prevista para esta terça ou quarta-feira, e depois consultar as informações pelo aplicativo do FGTS. As equipes dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) estarão disponíveis para orientar moradores com dificuldades de acesso ou dúvidas sobre os procedimentos”, explica o prefeito Rodolfo Mota.
Durante a reunião, que contou com a presença do vice-prefeito Marcos da Vila Reis, dos vereadores Moisés Tavares, Pablo da Segurança e Tiago Cordeiro, além de secretários municipais e servidores envolvidos diretamente na coordenação dos atendimentos, o prefeito destacou que a situação de emergência já havia sido reconhecida pelo Governo do Paraná cinco dias após o temporal. De acordo com ele, agora com a confirmação federal, o município poderá apresentar solicitações de recursos para recuperar estruturas públicas danificadas, como escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI’s) e outros prédios públicos. “Avançamos mais um passo em relação à reconstrução, ao cuidado com a cidade e ao apoio às milhares de famílias afetadas pela maior tragédia natural da história de Apucarana, que mobilizou as forças de segurança de Apucarana, o Exército, secretários e servidores municipais de todas as secretarias, voluntários, bem como o apoio de equipes da GCM de outros municípios como Londrina, Cambé e Rolândia”, afirmou.
Rodolfo Mota também comentou sobre o surgimento de vídeos e comentários com desinformação nas redes sociais. “É lamentável que, em meio à dor e ao sofrimento de tantas famílias diante da maior tragédia natural da história de Apucarana, ainda haja pessoas criando narrativas que não correspondem à realidade, numa tentativa de desqualificar o trabalho técnico da Defesa Civil e o esforço abnegado de milhares de servidores públicos. É fácil gravar um vídeo de 40 segundos para publicar na internet. Difícil é fazer o trabalho que precisa ser feito de verdade: acolher milhares de famílias, mobilizar equipes, buscar recursos, preparar documentos e trabalhar até 16 horas por dia para ajudar a cidade a se recuperar. Acho isso desnecessário, uma postura que não combina com Apucarana nem com aquilo que a nossa população merece e espera. Este é um momento que exige responsabilidade, respeito às pessoas atingidas e união de esforços”, disse Rodolfo Mota.
O prefeito aproveitou o momento para reforçar agradecimentos aos servidores municipais que trabalham incansavelmente para ajudar Apucarana a superar esse momento tão difícil. “Muitos deles também tiveram suas casas atingidas pelo temporal e, mesmo enfrentando problemas com suas próprias famílias, continuaram nas ruas, cuidando das pessoas e trabalhando para restabelecer os serviços. Esse compromisso merece todo o nosso reconhecimento e respeito. Também quero agradecer às entidades e instituições que se mobilizaram para ajudar as famílias atingidas, como a Sanepar, a Caixa Econômica Federal, a OAB, o Sesc, o Apucarana Futsal, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Lions Club Internacional e o Clube de Carros Antigos, entre tantas outras pessoas e organizações que estenderam a mão à nossa população”, pontuou Rodolfo Mota.
Entre as principais ações emergenciais, o prefeito lembrou que a Prefeitura e a Defesa Civil distribuíram mais de 25 mil telhas, transportadas em oito carretas. De acordo com ele, o volume representa uma operação inédita pela dimensão da entrega realizada no município. “Neste sentido, outra informação nova que temos a dar é que nesta última sexta-feira, a Defesa Civil do Paraná liberou um recurso na ordem de R$780 mil para que possamos honrar o pagamento destas telhas junto aos fornecedores”, relatou Rodolfo Mota.
Ele esclareceu que moradores que continuam enfrentando dificuldades decorrentes do temporal devem procurar o CRAS de referência. Conforme a necessidade identificada, o atendimento pode incluir encaminhamentos para benefícios sociais, cestas básicas, kits de higiene e limpeza, colchões e outros itens de apoio. “Desde o temporal nossas equipes estão mobilizadas para atender a população e, tenho a certeza de que em nenhum momento faltou o apoio necessário. Até esta segunda-feira, mais de 3 mil famílias — cerca de 10 mil pessoas — haviam sido acolhidas ou atendidas de alguma maneira pelos serviços municipais. Nós vamos ter consequências e desdobramentos dessa tragédia de todas as ordens. Isso não termina em 28 dias, em 60 dias ou simplesmente quando retirarmos os escombros. Precisamos continuar acolhendo as pessoas, porque a recuperação também envolve o emocional e a capacidade de cada família de voltar a se sentir segura”, relatou.
Limpeza e recuperação continuam – O prefeito Rodolfo Mota também pontuou que o trabalho de limpeza e reorganização da cidade segue em andamento. Desde o dia do temporal, a Secretaria de Serviços Públicos recebeu quase 3 mil novas solicitações oficiais via protocolo para retirada de galhos, árvores, telhas e entulhos. “Até o fechamento do balanço, aproximadamente 20% dos pedidos formalizados haviam sido atendidos, além dos serviços executados em espaços públicos, escolas, CMEI’s e igrejas. “A estimativa é de que sejam necessários pelo menos mais 60 dias para concluir a retirada dos materiais relacionados ao temporal, prazo que poderá ser afetado pelas condições climáticas”, frisa o prefeito.







