G2 Cia de Dança inicia novo ciclo de pesquisa artística e reinventa processo de criação

G2 Cia de Dança inicia novo ciclo de pesquisa artística e reinventa processo de criação
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Sob nova direção artística, companhia de bailarinos master do Teatro Guaíra desenvolve uma metodologia própria de criação, investe em pesquisa, formação continuada e criação colaborativa para preparar seu próximo espetáculo.

A G2 Cia de Dança Teatro Guaíra inicia um novo ciclo artístico. Criada em dezembro de 1999, a única companhia pública de bailarinos master em atividade na América Latina prepara um espetáculo inédito, mas vai além: o grupo está reinventando seu próprio processo de criação.

Sob a direção artística de Ivan Andrade — que assumiu a função na companhia em junho — o grupo desenvolve uma pesquisa que reúne treinamento técnico, estudos teóricos, oficinas com artistas convidados e criação colaborativa, ampliando sua linguagem e estruturando uma metodologia própria de trabalho. É desse percurso investigativo que está sendo gestada a nova montagem da G2 Cia de Dança, prevista para o segundo semestre.

A relação de Ivan Andrade com o G2 começou em 2023, durante a criação de “GAG – Uma livre adaptação de Kleist sobre o Teatro de Marionetes”, espetáculo dirigido por Gabriel Villela, do qual também assina a direção adjunta.

O trabalho aproximou o diretor da companhia e permitiu que ele acompanhasse, ao longo dos anos, a evolução artística do grupo, conhecesse sua trajetória e compreendesse as singularidades de uma companhia formada por bailarinos que transformaram a maturidade em potência criativa.

Agora à frente da direção artística, Andrade pretende aprofundar um caminho que, segundo ele, já vinha sendo construído pelo grupo. Além de estudar o repertório e a história de 26 anos da companhia, iniciou um processo de escuta com os bailarinos para compreender seus interesses individuais e coletivos. A proposta é fortalecer uma característica que marca o G2 desde sua criação: a construção coletiva da linguagem artística.

“Meu objetivo é criar uma dinâmica de pesquisa estética aprofundada. Pesquisa não diz respeito apenas à experimentação. Ela envolve estudo teórico, investigação, ampliação da linguagem e um olhar para a própria trajetória da companhia para buscar reinventá-la”, explica o diretor.

Segundo Andrade, a pesquisa acontece em várias frentes. Uma delas parte da leitura e discussão de obras de diferentes períodos e estilos, que funcionam como disparadoras para reflexões, improvisações e laboratórios criativos.

Entre os materiais estudados estão “O rinoceronte” do mestre do teatro do absurdo, o dramaturgo Eugène Ionesco, o conto “O homem de Areia”, de E.T.A Hoffmann, e “A náusea”, do filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre, utilizados como estímulo para a construção dramatúrgica e corporal do novo trabalho.

Estas obras foram utilizadas como inspiração para traçar os caminhos da construção do novo espetáculo e a obra de Sartre acabou sendo a escolhida para nortear a próxima montagem da companhia, que já tem a pré-estreia confirmada nos dias 12 e 13 de dezembro e com estreia prevista para o mês de março.

ARTISTAS CONVIDADOS – Outro eixo da metodologia é a realização de workshops mensais com artistas convidados, aproximando os bailarinos de diferentes linguagens das artes cênicas. Os encontros abordam temas como teatro físico, dança-teatro, ritmo e voz para a cena, ampliando o repertório expressivo da companhia e oferecendo novas ferramentas para o processo criativo.

Entre os meses de julho e outubro, o grupo participou de quatro oficinas preparatórias, além de fazer um trabalho de preparação corporal voltado aos bailarinos maduros, com técnicas como pilates, condicionamento físico, ballet adaptado e fisioterapia, buscando desenvolver um treinamento adequado às características do grupo, já que os integrantes têm mais de 50 anos de idade.

“O desafio é descobrir como manter esse rigor adaptando as técnicas à fase de vida dos artistas. Não se trata de diminuir a exigência, mas de encontrar caminhos para que ela continue existindo”, afirma Andrade.

TRAJETÓRIA – A G2 Cia de Dança nasceu no Centro Cultural Teatro Guaíra a partir do desejo de dar continuidade à carreira dos bailarinos do Balé Teatro Guaíra, valorizando a maturidade artística conquistada ao longo dos anos.

Inspirado em uma companhia pública holandesa formada por bailarinos master, o projeto surgiu com o propósito de explorar novos rumos e estéticas na linguagem da dança contemporânea. A estreia do G2 aconteceu em julho de 2000, com os espetáculos “Instável Sonata”, de Adriana Grechi, e “Pare, pense, faça alguma coisa!”, de Tuca Pinheiro.

Atualmente, o G2 é a única companhia pública de bailarinos master em atividade na América Latina, reafirmando seu papel de referência e inovação na dança contemporânea.

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná

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