Lula diz que vai pedir a Trump para “não se meter” nas eleições do Brasil

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Presidente afirmou que tenta marcar uma conversa direta com o líder norte-americano e disse esperar que os Estados Unidos respeitem a soberania do processo eleitoral brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que pretende conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir que o governo norte-americano não interfira nas eleições brasileiras de 2026. A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.

Segundo Lula, ele tenta estabelecer contato com Trump para uma conversa reservada sobre a relação entre os dois países e, especialmente, sobre o processo eleitoral brasileiro.

“Eu estou tentando falar com ele. Estou tentando manter o contato com ele que eu quero ter uma conversa tête-à-tête com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na questão da eleição”, afirmou o presidente.

Lula disse ainda que nunca teria interferido nas eleições norte-americanas e afirmou esperar reciprocidade por parte do governo dos Estados Unidos.

Tensão entre Brasil e Estados Unidos

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington, principalmente em razão das tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros e de divergências envolvendo a política brasileira.

Durante a entrevista, Lula voltou a afirmar que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as medidas comerciais contra o Brasil são baseadas, segundo ele, em informações que não correspondem à realidade.

O presidente também afirmou que mantém disposição para dialogar com Trump, embora tenha criticado integrantes do governo norte-americano. Em declarações recentes, Lula apontou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como um dos responsáveis pela postura que considera contrária ao Brasil.

Brasil aciona Lei de Reciprocidade

Na entrevista, Lula também mencionou a reação brasileira às tarifas norte-americanas e citou a Lei de Reciprocidade, acionada pelo governo brasileiro como instrumento de resposta às medidas comerciais dos Estados Unidos.

“Lamentavelmente, eles estão construindo inverdades contra o Brasil. Nós ontem entramos com a Lei de Reciprocidade para a gente mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos”, afirmou.

O mecanismo permite ao governo brasileiro avaliar medidas de resposta diante de ações comerciais adotadas por outros países. O governo informou que a iniciativa também busca abrir espaço para negociações com Washington.

Embaixador dos EUA

A relação diplomática entre os dois países também enfrenta outro ponto de tensão. Lula afirmou que o Brasil só deverá analisar o aval para o novo embaixador indicado pelos Estados Unidos após as eleições de 2026.

O governo norte-americano indicou Daniel Perez para o cargo, mas a nomeação ainda depende do chamado agrément do governo brasileiro.

Lula criticou a pressão para que o Brasil dê uma resposta rápida e afirmou que os Estados Unidos ficaram mais de um ano sem embaixador no país antes de fazer a nova indicação.

O episódio ocorre em um momento de crescente tensão diplomática entre os dois governos, enquanto o Brasil se aproxima do período eleitoral de 2026.

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